Pontal, a primeira das festas de verão da política nacional

11 ago 2017

Eram anos de grande implantação da social-democracia do PSD em Portugal. Francisco Sá Carneiro, fundador e líder, decidia que o Algarve merecia uma especial atenção naquele ano de 1976.

Portugal vivia um típico verão quente, quando, em 29 de agosto, se realiza a primeira Festa do Pontal que ganha o nome do local em que nasceu. O pinhal do Pontal, em Faro, recebeu então social-democratas e simpatizantes de todo o País.

Mais do que um encontro político, tratava-se de um convívio entre várias gerações de militantes, dirigentes, independentes e apoiantes do PSD.

Mais do que uma ação partidária, foi uma inovação na vida política nacional que continua a acontecer ainda hoje e que outras forças políticas tentaram até replicar, como no ano em que o Partido Socialista, de António Guterres, realizou uma festa ao lado da do PSD. Com um palco no largo da Pontinha, em Faro, a escassas centenas de metros do PSD, a Pontinha tentou rivalizar com o Pontal. Das duas festas de verão, apenas uma conseguiu manter-se até hoje.

Foram vários os protagonistas da primeira Festa do Pontal. Filipe Abreu era vice-presidente do PSD Algarve, quando Francisco Sá Carneiro lhe confiou a tarefa de criar um evento popular. Cristóvão Norte e José Vitorino eram os deputados do PSD eleitos pelo Algarve. Leontina de Sousa, Manuel Benjamim, Jorge Pinto e Maria Emília Azeredo integravam a comissão organizadora que escolheu o local e deu vida à festa.

Em cada verão, a Festa do Pontal foi ganhando peso como marco no calendário político. Cavaco Silva, algarvio, acentuou a natureza política do evento e os seus anos como líder do PSD (e primeiro-ministro) consolidaram o evento como um momento incontornável da vida partidária e da política nacional. O conceito de “rentrée” política consagrou-se e o discurso dos presidentes do Partido, quando presentes, passaram a captar a atenção mediática. Eram um barómetro dos temas quentes que marcariam o trabalho político da época que, então, começava.

A figura da “rentrée” política foi adotada pelos vários espectros partidários.

A história não ficaria completa sem o nome de uma das figuras maiores do Pontal. José Mendes Bota organizou 14 edições e, reavivou em três ocasiões, a festa (1985, 1996 e 2005). O próprio Mendes Bota viria a afirmar:“o PSD também multidão, agitação, bandeiras no ar e corações em terra, pronto para combates eleitorais que aí vêm.”

Em 2006, a Festa do Pontal passa para a morada atual: o emblemático Calçadão de Quarteira. A festa foi algarvia desde o início e assim se manteve ao longo dos tempos, apesar de ter rumado à Póvoa de Varzim em 1999. Afinal, o Algarve é ponto de encontro de tantos portugueses durante o mês de agosto.

Em 2010, a chegada de Pedro Passos Coelho à presidência do PSD devolveu dinamismo ao evento. Foi perante milhares de portugueses, militantes e simpatizantes, que se deu o arranque para a conquista das eleições de 2011. O líder do PSD devolvia às pessoas esperança e confiança no seu desempenho de político esclarecido e firme nas suas convicções, afirmando-se como a única alternativa para a recuperação de Portugal.

Já como primeiro-ministro, no verão de 2015, o Presidente voltou a marcar a Festa do Pontal ao convidar o parceiro de coligação com quem governava, o CDS-PP de Paulo Portas, dando assim o pontapé de partida para as legislativas que a coligação acabaria por ganhar, em 2015.

2016 marca o regresso de Pedro Passos Coelho à Festa do Pontal, agora como líder do maior partido da oposição. Os militantes social-democratas voltaram a acorrer em força, num apoio excecional ao Presidente do Partido. Pedro Passos Coelho marca a rentrée política dos social-democratas com um aviso contundente sobre o resultado de menos de um ano de governação socialista. Um aviso que o tempo provou ser certo – “esta solução de governo está esgotada”. A olhar para o futuro, o Presidente do PSD lançou linhas de atuação que considerou necessárias para que Portugal pudesse recuperar o dinamismo do pós-programa de ajustamento, continuando no caminho do crescimento económico e da recuperação do emprego. Entre essas propostas contava-se a reforma da Segurança Social e o combate mais forte às desigualdades sociais.

Com um discurso muito dedicado aos jovens e ao futuro do País, Pedro Passos Coelho traçou linhas de pressão ao Governo e inaugurou o posicionamento que o PSD tem comunicado desde então: “Levar Portugal a Sério”.